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Aprendizado online

  • Henrique Galvão
  • 12 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 15 de out. de 2025

Aprender por aula online é pior que presencial ?


Uma das coisas que aprendemos após a pandemia da Covid-19 foi a de que somos capazes de fazer muitas coisas no conforto do nosso lar. Uma dessas coisas é a possibilidade de assistir aulas e aprender sem ter que sair de casa. Na verdade, já sabíamos disso. Desde a criação do YouTube somos atraídos à internet sempre que precisamos aprender uma nova habilidade ou conteúdo, de receita de pão caseiro a entender como funciona um computador quântico. Porém, ao mesmo tempo que pessoas se adaptaram à modalidade de ensino a distância, outras se sentiram extremamente frustradas com o sistema de ensino online. Muitos alunos e pais de estudantes ficaram traumatizados com os diversos problemas desta modalidade de ensino e, se possível, gostariam de evitá-la a todo custo no presente e em qualquer futuro próximo. Seria esse um modelo fadado ao insucesso? Realmente, há inúmeros relatos de experiências horríveis com o ensino remoto e até evidências de como os índices que medem a educação mundial caíram após a pandemia. Claro que o fato do aprendizado ter sido feito online não pode ser considerado o único fator responsável pelas experiências ruins ou pela queda dos níveis educacionais durante a pandemia, mas com certeza foi um dos fatores. Com isso, muitos questionam: é possível aprender remotamente ?


É possível aprender remotamente?


Acho que todos irão concordar que a resposta para essa pergunta é um grande “SIM, sem sombra de dúvida”. Digo isso porque todo mundo já aprendeu algo online - mesmo que você nunca tenha feito um curso formal EAD (ensino a distância), que já é uma realidade para muitos, você já adquiriu algum tipo de conhecimento online. Seja através de vídeo instrucional para resolver um problema caseiro; de páginas da Wikipedia sobre determinado assunto; ou de cursos comprados em plataforma como Udemy e Coursera; ou mesmo daquelas lives que fazem parte de uma “Master Class” para vender algum curso; e não podemos deixar de lembrar, que quando acreditamos numa fake news que chegou pelo whatsapp, estamos adquirindo, pela internet, um novo conhecimento, mesmo que a informação esteja errada. É inquestionável a nossa habilidade de aprendermos online. Temos essa capacidade e, se ela é real, vem a dúvida: Por quê na pandemia houve tantas experiências desagradáveis e fracassos com o aprendizado remoto? 


Não podemos deixar de considerar que foi um período difícil que envolvia muitos desafios, como o isolamento social e a falta de delimitação de espaços dentro de casa, o lugar onde anteriormente era apenas um lar, virou escritório, escola e a única opção de lazer ao mesmo tempo. Tivemos que nos adaptar a uma nova vida, com novos hábitos. Isso incluiu uma adaptação escolar para o novo modelo de ensino, tanto por parte da equipe dos colégios, quanto por parte dos alunos e dos pais em casa. Não havia roteiro previsto de como implementar esse sistema de ensino. Não raro, escutei o relato de alunos que entravam na aula, fechavam a câmera e microfone e ficavam jogando videogame. Do outro lado, professores sentiram o vazio que era falar para uma webcam, sem ver a cara de nenhum aluno. As avaliações perderam o significado - ao invés de verificar o conteúdo aprendido dos alunos, viraram uma tarefa rasa sem propósito, sendo feitas dentro de casa, com acesso a internet e “consulta” aos colegas e ao google (ainda bem que na época não existia ainda chatbots modernos com inteligência artificial, caso contrário, provavelmente quem faria as provas seria o chat gpt). Os problemas durante a pandemia com o sistema remoto de ensino se relacionam muito mais com a maneira pela qual foi implementado, do que pelo sistema em si. O que ativa um alerta: qual aspecto da implementação do sistema remoto de ensino poderia prejudicar a experiência do aprendizado?


Aspectos importantes para um ensino remoto funcionar


A reclamação principal do sistema remoto é com respeito a foco e distração. Dentro de casa, é comum enfrentarmos uma série de distrações que dificultam a produtividade. Nossos hábitos já estabelecidos em um ambiente de conforto — como o sofá que nos convida a assistir a "só mais um episódio" da nossa série favorita ou a cozinha que constantemente nos sugere uma pausa para um lanche — atuam como armadilhas para a procrastinação. Além disso, o computador, que deveria ser utilizado como ferramenta de estudo ou trabalho, frequentemente nos lembra de jogos ou outras atividades online que competem com as tarefas de produtividade. Assim, o ambiente doméstico, embora acolhedor, muitas vezes se transforma em um campo cheio de tentações que atuam como modos de fuga para tarefas que estamos procrastinando.


Numa sala de colégio também temos esses mesmos modos de fuga e distração. O aluno pode cochilar, ficar um tempo fora de sala, ficar mexendo no celular, ou mesmo conversando com outros alunos. Inclusive, no ano de 2025, após a implementação da  Lei 15.100/2025, que impede os alunos de utilizarem celular na escola, a reclamação de todos os professores foi de que as conversas aumentaram vertiginosamente, com alunos sendo expulsos de sala por estarem atrapalhando os outros com barulho de suas conversas. Ou seja, após a remoção da distração que era o celular, aqueles que não queriam prestar atenção na aula voltaram à velha e boa conversa ao vivo. As escolas tentam lidar com essas questões restringindo a possibilidade de distração: fazem mapa de sala para acabar com a conversa; professores não permitem estudantes dormindo dentro da sala de aula; alunos só podem sair de sala com autorização, e constantemente são feitas perguntas individuais para voltar a atenção do aluno distraído para a aula que está sendo dada. 


Da mesma forma que alguns professores procuram mitigar os problemas distratores em sala de aula, podemos fazer o mesmo numa aula online. Para uma aula online funcionar, o aluno precisa estar presente, mesmo que a distância. Câmera e microfones devem estar ligados o tempo todo, e deve haver constante interação com o professor. Em uma aula online particular, isso é mais tranquilo de ser garantido do que uma sala cheia com 40 alunos. O professor consegue certificar que o aluno está prestando atenção e redirecionar o aluno à aula caso alguma distração ocorra. Diferente de uma aula assíncrona, na qual o aluno pode assistir a qualquer momento, fazendo várias coisas ao mesmo tempo, a aula síncrona com o professor particular é guiada o tempo todo e não exige um alto nível de disciplina do aluno. Mas, de toda forma, exige alguma disciplina - o aluno precisa comparecer no horário da aula pontualmente, com a webcam ligada e ter presença na aula. É necessário compromisso por parte do aluno.



Dê uma chance


Se você ainda acredita que a aula online não é para você, faça um teste, marque uma aula e dê uma chance para esse formato. Não esqueça dos bônus - você pode aprender no conforto da sua casa, com a roupa que quiser, sem nenhum barulho (usando seu fone de cancelamento de ruído), bebendo seu café favorito e sem ter que enfrentar todos os inconvenientes do  trânsito para chegar à sua sala de  aula.


 
 
 

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